Depois de seis semanas de filmagens no Agreste de Pernambuco, A Luneta do Tempo se encontra em fase de pré-edição. Oitenta por cento das imagens já foram captadas e o restante será filmado a partir de abril, com cenas de interiores que deverão ser rodadas em Olinda.
Alceu Valença está finalizando seu tão sonhado longa-metragem “O CORDEL VIRTUAL OU A LUNETA DO TEMPO”. Vejamos o que o artista pernambucano adianta sobre este novo trabalho:
“Depois de dez anos tentando captar dinheiro para meu filme, Cordel Virtual ou a Luneta do Tempo, finalmente consegui levantar uma verba para rodá-lo no sertão de Pernambuco. Neste momento, estamos em fase de pré-produção aqui em Olinda. O que me mais motivou fazer um filme musical foi me debruçar sobre as nossas raízes. Este projeto nasceu de uma maneira supernatural. Após a morte de meu pai eu quis fazer um inventário de tudo o que ele e São Bento do Una me legaram. Personagens de minha infância, a música das feiras, os auto-falantes do Cine Rex invadiam minha cabeça e não me deixavam dormir. Mas me faziam sonhar.”
Comecei a escrever um romance, até que um dia me encontrei com Waltinho Carvalho, que me perguntou se eu estava criando muito. Mostrei a ele um texto e ele disse: Isso é cinema. A partir daí, entramos em um projeto no Ministério da Cultura e eu comecei a transformar o romance em um roteiro cinematográfico. Conseguimos aprovar o projeto, mas captação é uma coisa muito complicada, sobretudo para quem não tem um lado comercial muito aguçado como eu. Não sei bajular ninguém nem pedir em causa própria. Finalmente conseguimos viabilizá-lo porque as pessoas foram chegando: os produtores Tuinho Schartz e Monica Botelho, a diretora-assistente Elza Cataldo, minha mulher Yanê Montenegro, entre tantas outras.
Cordel Virtual ou a Luneta do Tempo é um musical que não segue a linha de nenhum musical tradicional. No fundo, é um mergulho que faço em minha infância, no meu passado e este passado tem a trilha sonora das ruas do Nordeste, dos cantadores anônimos, coquistas, violeiros, emboladores, cegos arautos de feira, da música de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, do samba-canção dos anos 50, da música contemporânea brasileira. Um documento para se pensar a cultura do Brasil e do Nordeste. Vivemos um tempo em que as referências estão submetidas ao dinheiro e a modelos descartáveis. A arte está virando apenas um negócio e isso me preocupa. Tenho uma noção de que dinheiro não tem pátria e se a pátria não tem cultura, não há necessidade de pátria.”