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08/10/2011 - 09h58
Editora Queima-Bucha lança folhetos com ensaios, e Benedito Vasconcelos é o autor da estreia com COZINHA SERTANEJA, onde é contado em detalhes, a história dos hábitos alimentares de nossa região.

A Editora Queima-Bucha lança a série FOLHETOS DE LITERATURA, onde pretende através dessas publicações, fazer chegar a um número cada vez maior de leitores, textos, antes publicados em revistas ou livros, mas que atingiu um número limitado de pessoas. A Queima-Bucha acredita que nesse formato, atingirá um número bem maior de amantes da leitura.

O formato de folheto para textos científicos ou poéticos retorna á nascente das publicações, quando todo tipo de informação vinha nesse formato.

 O escritor escolhido para estrear a coleção, é Benedito Vasconcelos Mendes, engenheiro agrônomo, escritor, pesquisador e o criador do MUSEU DO SERTÃO, na comunidade de Alagoinha, município de Mossoró.

O ensaio, intitulado Formação da Culinária Sertaneja, na qual, como o próprio nome sugere, foi contada em detalhes, a história dos hábitos alimentares do povo do sertão. Fiel à proposta de destacar o universo sertanejo através de sua culinária peculiar, Benedito traz sua pesquisa sobre o cardápio da população sertaneja, ao mesmo tempo em que explica a relação desse cardápio com a realidade da Civilização da Seca.

O Folheto tem as características do Cordel, mudando apenas o texto, deixando de ser poesia e escrevendo-se em prosa, e o papel, que em cordel é “jornal”, optamos por um tipo de qualidade melhor. O folheto tem o formato 10,5 x 16, com 32 páginas.

Contatos:

queimabucha@hotmail.com




http://queimabucha.com/?idnot=352



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28/09/2011 - 13h23
Assim fico sabendo que no dia 30 de setembro, Gustavo lança em Natal, O Poeta na Sombra. Será às 19h, na Livraria Siciliano, no Midway Mall. Vai ser um lançamento em dois tempos. Pois a partir das 22h, o poeta segue autografando o livro - que por sinal está bem legal - no Restaurante Veleiros em Ponta Negra - Por Paulo Procópio

Imagens do Poeta na Sombra

Cá estou. Novamente boto os pés na rua. Mossoró é sempre sol. Uma cidade aberta. Tenho boas surpresas. Pela manhã encontro o editor Gustavo Luz, que me autografa, O Poeta na Sombra, seu livro mais novo. Com aquele jeito mansinho, Gustavo vai dando vida as palavras, botando para fora pedaços da memória com aquele modo sutil de escrever. Um misto de moderno e brejeiro que envolve e seduz.

Assim fico sabendo que no dia 30 de setembro, Gustavo lança em Natal, O Poeta na Sombra. Será às 19h, na Livraria Siciliano, no Midway Mall. Vai ser um lançamento em dois tempos. Pois a partir das 22h, o poeta segue autografando o livro - que por sinal está bem legal - no Restaurante Veleiros em Ponta Negra, entre poemas, conversas, músicas e cervejas. Isso promete!

Peguei ao acaso, entre folhas um poema e repliquei no blog territoriopotiguar.blogspot.com. Feliz coincidência. Depois me disse o poeta que os versos captam imagens do bairro dos Pintos nos anos 80, época em que tínhamos uma casinha por lá. Ponto de encontro de loucos e líricos. E uma velha vitrola sempre ligada.

O poeta na sombra

Gustavo Luz

Escuto música ao longe
Faz sol
Poeira
Muito sol
Muita poeira...

Vou sentar
Nessa sombra
E esperar a cidade passar
Vislumbrar acontecimentos
Harmonia de corpos
Imagens filtradas
De mar e sertão
Num
Rural
Motorizando-se.




http://queimabucha.com/?idnot=351



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27/09/2011 - 15h50
O mossoroense Gustavo Luz, fundador e editor da Editora Queima-Bucha, uniu o útil ao agradável: aliou a experiência e a profissão de gráfico herdada do seu pai, Raimundo Nonato Luz, com a importante tarefa de promover a boa literatura feita em Mossoró, a partir da produção de livros e principalmente dos cordéis. E, por produzir muitos títulos de autores locais, passou a ser um disseminador e defensor da literatura que tem o Nordeste como cenário para romances, contos, pesquisas, elevando o nome da editora além-fronteiras. Hoje, seu trabalho como editor é reconhecido e procurado por autores de outros Estados. Gustavo também é poeta, autor de doze títulos, entre eles “Chuva de Palavras”, “Mil Anos de Vida”, “Queima-Bucha” - em parceria com Gilvan Lopes -, “Tempo” e o mais recente: “O Poeta na Sombra (2010)”. Por Izaíra Thalita

DOMINGO – Como foi que você ingressou no meio gráfico?

GUSTAVO LUZ – No meio gráfico comecei ainda criança, porque meu pai, Raimundo Luz, tinha gráfica, e desde menino vivi nesse meio. Meu pai levava muito serviço para casa e para nós era uma diversão ajudá-lo a fazer o serviço durante a noite. Nunca saí desse ramo. Eu estudava e, como não era um aluno aplicado – só gostava de português e história –, antes de terminar o segundo grau eu deixei a escola e fui trabalhar com meu pai, ganhava e colocava o dinheiro no bolso e não voltei para a escola. Fui trabalhar com meu pai e, depois que ele se aposentou, ficamos eu e meu irmão, e já tinha publicado alguns livros pequenos e conhecia escritores. Uma senhora professora uma vez me perguntou se eu gostaria de fazer um livro e eu não tinha experiência, mas ela confiou o trabalho. Nessa época, a gente tinha de fazer ainda no método da tipografia, que era anterior ao linotipo, a gente montava letra por letra e no final ela gostou do resultado e eu me interessei. Depois foram surgindo trabalhos assim, para fazer livros, revistas, jornais, e eu decidi sair e colocar uma gráfica para mim, com poucas máquinas.

 

A SUA gráfica ganhou um perfil de produção local e de incentivo à cultura popular. Como foi que você aderiu a esse movimento?

A GENTE sabe que Mossoró tem uma tradição na leitura de jornais, de livros e sempre teve algumas empresas que apostavam nesse tipo de publicação. Na minha infância tinha a editora Comercial, que funcionava onde hoje é o edifício Caiçara e publicava livros; anos depois, o próprio Vingt-un Rosado, e eu escolhi editar livros e hoje edito muitos livros. Comecei produzindo livros, agendas e ofertando esse produto que era diferenciado do que a gente fazia na gráfica do meu pai, que eram mais notas fiscais. Fazia notas também, mas a gente já percebia que as notas fiscais seriam eletrônicas e eu fui me preparando para não levar o baque grande. Hoje, edito muitos livros. Hoje, edito trabalhos de Fortaleza, Rio de Janeiro, Bahia, já tenho um nome conhecido em vários Estados brasileiros e muitos trabalhos meus têm venda em várias livrarias de outros Estados, o que faz que eu procure títulos interessantes que despertem um interesse maior para a venda para publicar pela editora.

 

VOCÊ já tem doze livros publicados, a maioria de poesias. Como surgiu essa verve poética?

NA VERDADE, quando estudante, já fazia poesias, até que um dia a minha poesia foi escolhida pela professora como a melhor da classe e fiz um exemplar para mim na gráfica de meu pai. Fui, aos poucos, escrevendo. Mas tem também algo que me incentivou muito. A nossa casa era ligada pelos fundos com a casa de Jaime Hipólito, jornalista, professor, e eu tinha muito acesso à biblioteca dele. Na época, ele praticamente nos obrigava a ler. Ele nos dava o livro e à noite ele ia nos perguntar sobre o livro, a gente tinha que saber as passagens. Por causa dele comecei a ler mais autores ingleses, porque ele morou na Europa e tinha muitos títulos. Eu lia mais Charles Dikens; é o autor que mais tenho na lembrança. Fui tomando o gosto pela leitura, e isso também me estimulou a escrever poesias. Meu livro mais recente é “O Poeta na Sombra”, o décimo segundo título de minha autoria, acredito também pela facilidade de ter a gráfica. Mas, além de poesias, publiquei uma novela e um livro de contos. O Poeta na Sombra é um único poema muito ligado à prosa. Vou lançar em Natal no próximo dia 30, na Siciliano do Midway Mall.

 

HÁ UMA característica das publicações da Queima Bucha com o cordel. A editora produz e incentiva a produção da literatura de cordel. O seu contato com o cordel se deu a partir do trabalho gráfico?

QUANDO criança, sempre via na praça da catedral as rodas, e o pessoal ficava tocando pandeiro, recitando e vendendo o cordel. Mas, na gráfica de meu pai também se fazia o cordel, que não era só versos rimados. Muitas coisas eram feitas no formato de cordel e que iniciou não como a poesia. Antes se fazia cordel com a tábua de maré, com receita de bolo, com canções. Fazíamos muito cordel com as letras das músicas de Elizeu Ventania e os folhetos eram feitos com tudo e com romances. De um tempo para cá é que o cordel ganhou uma importância, passou a ter um padrão estético e um crescimento maior.

 

OUTROS Estados solicitam cordéis que são feitos aqui?

TENHO vendido para Bahia, Rio de Janeiro, Fortaleza e encomendas de autores que moram em outros Estados, mas preferem publicar aqui comigo, pelos detalhes, por seguirmos o modelo padrão de produção de cordel.

 

QUANDO tanta gente procura investir em outras coisas, você procurou investir na produção literária local. Teve algum momento mais difícil dessa opção por publicar livros na cidade de Mossoró?

QUANDO comecei, nos anos 80 e até o início dos anos 90, a gente enfrentou dificuldades porque praticamente publicávamos um livro só para não deixar a coisa morrer. Quando o cordel passou a ter essa valorização nacional a coisa ganhou fôlego, surgiu Antônio Francisco, que foi uma novidade, ganhamos um impulso muito grande, crescemos  a produção. Fizemos amizade com poetas do Ceará, da Academia Brasileira de Cordel e o nome da editora foi sendo divulgado.

 

O CORDEL tradicional é em folheto, mas hoje já há uma mudança de apresentação e o cordel ganha formato de livro, com ilustrações bem trabalhadas. A que se deve essa alteração?

ACREDITO que é para facilitar a entrada em instituições, para entrar nas escolas, para facilitar o uso pelos alunos e para ajudar a guardar. O folheto não tem a mesma durabilidade que um livro e é mais difícil de preservar, de acomodar nas bibliotecas. Um exemplo dessa transformação foi com cordéis de Antônio Francisco, que conseguimos hoje muita saída e uma maior divulgação depois que ganhou o formato de livro.

 

QUANTOS trabalhos chegam para você selecionar e como você escolhe os trabalhos que são patrocinados pela editora?

TEM meses que editamos cinco novos títulos, cordéis entre cinco e dez títulos e e-books, dois ou três títulos. Eu faço uma leitura e temos um conselho que avalia o livro, se desperta o interesse de venda. Geralmente, escolhemos títulos que falam sobre o Nordeste, histórias, pesquisas, contos.

 

HOJE, com a questão das tecnologias, que dão outras formas aos livros, como é o caso dos e-books, CD-Rom, livros para publicação em sítios na internet, a própria xerografia parece afetar os que trabalham com a produção de livros. Isso tem afetado a produção de livros aqui?

EM PARTE, sim. Nós já aderimos a esses formatos digitais, como é o caso do CD-Rom ou e-book, já produzimos para esses formatos, e é preciso estar inserido nessa realidade. Tem de ter o livro de papel, o digital e de todas as formas que alguém puder ler, inclusive no Tablet, nós queremos ofertar livros que se adaptam a essa nova forma de leitura.

 

QUAIS são os próximos lançamentos da editora?

NESTE mês estamos com três títulos muito bons: “Uma História da Multidão”, de Glênio Azevedo Alves (História), que fala sobre os saques na região; “O Silêncio das Lembranças”, de Margarete Solange (Romance); e “10 Contos” - Organização de Rilder de Medeiros.

 

COMO as pessoas podem ter acesso ao catálogo de títulos da Queima Bucha?

NO CATÁLOGO da Biblioteca Nacional (ISBN) é possível ter acesso a todos os títulos já publicados com esse registro. Não tem o cordel folheto, mas tem o cordel livro. Tem ainda o sítio da editora na Internet: www.queimabucha




http://queimabucha.com/?idnot=350



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azevedo lima- fortaleza disse:
  parabéns....tmb sou ´fã de literatura de cordel..e principalmente de pessoas simples como achei o editor...o vi no programa da tv diario....e gostei muito....grande abraço...  

 

 


10/08/2011 - 07h38
que acontecerá de 9 a 14 de agosto de 2011, em Mossoró no Rio Grande do Norte

Escrever é viajar
No bonde da liberdade
Nos trilhos feitos de versos
Pela criatividade
Olhando pela janela
Dos olhos da humanidade,

com esses versos, Antonio Francisco define com poesia o ato sublime de escrever. Na arte solitária que se inicia a construção de uma obra, para que depois de pronta, ela torne-se conhecida de todos, existe o bem pensar, e o acúmulo de informações, adquirida no viver diário, e na leitura de importantes obras literárias.

Para a sétima edição da Feira do livro de Mossoró, http://www.feiradolivrodemossoro.com.br
que acontecerá de 9 a 14 de agosto de 2011, em Mossoró no Rio Grande do Norte, a Editora Queima-Bucha publicou vários livros, Literatura de Cordel para os amantes da poesia, e o DVD O POETA E A BICICLETA.
Esses são alguns dos títulos:
Livros:

Acorda Cordel na sala de Aula – Arievaldo Viana
Meu Recital de Cordel,-  Antonio Francisco
Espelho de carne e osso, - José Ribamar
A Noite de Luvas Brancas, -  Mário Gerson
O Poeta na sombra, - Gustavo Luz
Os contos de Zecazar - Tiago Bezerra
Nas trilhas do cordel - José Bezerra de Assis
e outros.

Na literatura de cordel, temos 20 novos títulos do poeta paraibano Medeiros Braga, com cordéis biográficos acerca de líderes nordestinos, e vem desenvolvendo um trabalho de grande importância no campo da educação política.  
O poeta cearense Francisco Melchíades, que tem um primeiro cordel publicado pela editora, com AS BRAURAS DE UM NEGRINHO QUE PÔS ORDEM NUM CORONEL, e clássicos como HISTÓRIA DO CAPITÃO DO NAVIO, considerado por alguns estudiosos, como o primeiro cordel publicado no Brasil. O CAVALO QUE DEFECAVA DINHEIRO de Leandro Gomes de Barros e mais de 500 títulos variados de Literatura de cordel.

No stand 28 da Queima-Bucha, teremos as belas edições da Editora IMEPH,  voltados para: Educadores Infantis, Professores de Jovens e Adultos, Professores em Educação Inclusiva, Educadores do Ensino Fundamental I e II bem como Formação de Gestores e de alunos monitores.Apareça lá.




http://queimabucha.com/?idnot=349



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08/08/2011 - 11h06
Medeiros Braga, paraibano de Nazarezinho, vem desenvolvendo um trabalho de grande importância no campo da educação política.

Medeiros Braga, paraibano de Nazarezinho, vem desenvolvendo um
trabalho de grande importância no campo da educação política.
Preservando as formas imprescindíveis que caracterizam o cordel, como
a metrificação, rima e o ritmo, vem ele intensificando uma temática de
grande valor educativo. Além das obras em prosa, ele conta hoje com 11
livros em estilo de cordel e 88 titulos em folhetos de cordel, dos
quais cerca de 30 foram publicados pela tradicional Editora Queima
Bucha. Para Medeiros Braga os leitores de cordel de hoje já não são os
mesmos de 50 anos passados. Nivelados pelos meios de comunicação e
pela aproximação das universidades junto a zona rural, são eles mais
bem informados e exigem temas mais instrutivos. Daí que todo seu
trabalho se centraliza na educação política.

Para o cordelista o seu melhor trabalho nessa área é o que fez sobre O
Mito da Caverna que, ao descreve-lo, concluiu que nós, também, vivemos
em cavernas, bitolados que somos pelos meios de comunicação:

Por que homens se recusam
De ter sua liberdade?...
Por que tanta reação
E ranços de crueldade?...
A reação sem constância
É fruto da ignorância
Em parte da humanidade.

A escola da caverna
Com suas sombras, então,
Preparou os seus escravos
Pra servirem à escravidão.
Daí porque, sem vontade,
Idéias de liberdade
Não têm sua aceitação.

De forma, como nas trevas
Não há visibilidade,
Também, na ignorância
Saber não há, na verdade...
E é difícil sem o saber
Um povo reconhecer
O valor da liberdade.

Convivemos em cavernas
Piores que a de Platão,
Sofisticadas, modernas,
Que alienam o cidadão
Sem que ele sinta o destroço
Da corrente no pescoço
Nem do peso do grilhão.

Nesse cordel se pode ver, não a elitezação do cordel, mas, a
popularização do saber. Tornar acessível a compreensão do conhecimento
é uma das propostas da literatura popular, hoje. Afinal, o saber é um
instrumento de libertação das pessoas, e o cordel o implemento da sua
viabilidade.



http://queimabucha.com/?idnot=348



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31/07/2011 - 11h11
Depois que a Rede Globo lançou a novela Cordel Encantado é a vez de uma grande escola de samba do Rio de Janeiro, a Acadêmicos do Salgueiro, aproveitar o tema para o desfile de 2012. Por Arievaldo Viana

Dizem que no Brasil tudo acaba em samba... Acabava! Agora acaba tudo em cordel. 90% dos encartes de lojas que circularam agora em junho aqui em Fortaleza usaram a gravura popular (de capas de folhetos) como principal ilustração. Até anúncios da TV seguiram a mesma trilha.

Cordel no carnaval carioca

Em 2012, a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro levará para a avenida o Cordel, parte da rica cultura nordestina.

É sempre bom ver a cultura nordestina em destaque, sendo reconhecida em outros recantos do país. Depois que a Rede Globo lançou a novela Cordel Encantado é a vez de uma grande escola de samba do Rio de Janeiro, a Acadêmicos do Salgueiro, aproveitar o tema para o desfile de 2012.

No entanto, essa badalação enorme que se criou em torno da Literatura de Cordel às vezes me anima e às vezes me preocupa. Para quem lê cordel desde a infância e conhece essa arte como a palma da mão, tais manifestações às vezes soam falsas e meio pasteurizadas. A intenção pode ser boa, mas o cordel com a sinopse do tema, que irá inspirar os compositores na elaboração do samba-enredo da Acadêmicos do Salgueiro mistura, equivocadamente, o linguagajar matuto (que não é utilizado pelo verdadeiro cordelista) com métrica claudicante e rimas duvidosas. É uma simbiose de Patativa do Assaré com o samba do crioulo doido. Passa é longe da arte de José Camelo de Melo, Leandro Gomes de Barros e José Pacheco da Rocha. Quantas vezes vou ter ainda que repertir que CORDEL é uma coisa e POESIA MATUTA é outra?

Sinceramente, versos como "um cadim de inspiração" doem no ouvido. E TROVA rimando com EUROPA é de fazer o velho Manoel D"Almeida Filho se remexer na tumba! Outra coisa, vi xilogravuras de J. Borges, Costa Leite, Dila e outros artistas compondo o cenário (que por sinal está belíssimo)... Será que esses artistas populares nordestinos receberam alguma coisa de direito autoral? Afinal de contas, o carnaval carioca é um negócio altamente lucrativo, que movimenta cifras astronômicas. Não custa nada deixar uma moedinha cair na cuia do ceguinho cantador de feira, não é mesmo?

Os mais otimistas dizem que o cordel está ganhando projeção nacional, que será absorvido e digerido avidamente por todas as camadas sociais e por gente dos mais distantes rincões desse país continental. Os tradicionalistas vêem esse “oba-oba” com desconfiança, uma vez que o que vem sendo apresentado até aqui não passa de uma caricatura da poesia popular, com foco mais centrado na xilogravura. Fala-se muito que o cordel está em evidência graças à novela e outras manifestações afins, mas na prática, no frigir dos ovos, o que isto vem trazendo de positivo para o poeta popular? Que custo era contratar especialistas no assunto para uma consultoria?

Eu, particularmente, não quero cometer o pecado de julgar por antecipação o espetáculo que a Acadêmicos do Salgueiro prepara para o carnaval de 2012. Até porque, a ABLC (Academia Brasileira de Literatura de Cordel), instituição da qual faço parte, será homenageada pela referida Escola de Samba. De repente, pode vir coisa boa por aí, mas pelo sim, pelo não, estou com as barbas de molho.

Vejam, a seguir, matéria extraida do blog "Quintal do Lobisomem", mantido pelo poeta Victor Alvim, capoeirista famoso no Rio de Janeiro, autor de diversos folhetos:

"A tradicional escola de samba Acadêmicos do Salgueiro acertou em cheio ao escolher o tema do seu próximo carnaval. A vermelha e branca tijucana vai levar para a avenida o enredo "Cordel Branco e Encarnado", de autoria de Renato Lage e Márcia Lage.

A escola pretende unir a arte dos poetas populares do Nordeste com o inconfundível batuque carioca. Sem esquecer as origens do cordel na Europa, que ressurgiu com toda a força no Nordeste em histórias que caíram no gosto popular, como "O Romance do Pavão Misterioso", obra que inspirou os carnavalescos a criarem a logomarca do enredo salgueirense.

A sinopse do enredo foi apresentada aos compositores no dia 14 de junho em reunião na quadra da Rua Silva Teles e surpreendeu a todos por ter sido escrita em forma de poema como um tradicional cordel. Tive a oportunidade de estar presente trocando informações com o carnavalesco Renato Lage, a diretoria cultural e parte da sua talentosa equipe, entre eles Gustavo Mello, Eduardo Pinto, Dudu Azevedo e Luciane Malaquias.

Como poeta popular, cordelista e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, gostaria de parabenizar a Acadêmicos do Salgueiro por escolher um enredo que verdadeiramente aborde uma das maiores riquezas da nossa cultura popular brasileira.
E uma bela parceria está se iniciando entre estas duas academias: a do samba e a da literatura de cordel.

Íntegra da sinopse

Salgueiro 2012
(Cheio de poesia, imaginação e encantamento)

Minha "fia", meu senhor
Deixa eu me apresentar
Sou poeta e meu valor
Vai na avenida passar
Basta imaginação
Um "cadim" de inspiração
Que eu começo a versar

Vou cantar a minha arte
Que nasceu bem lá distante
Num lugar que hoje é parte
Da nossa origem errante
Vim das bandas da Europa
Nas feiras, a boa trova
Era demais importante!

Foi assim que o mar cruzei
Na barca da encantaria
Chegou por aqui um Rei
Com bravura e poesia
Carlos Magno e o os doze pares
Desfilando pelos mares
Da mais real fidalguia

E veio toda a nobreza
Que um dia eu imaginei
Rainha, duque, princesa
E até quem eu não chamei:
Um medonho de um dragão
Irreal assombração
Dessa corte que eu sonhei

Também tem causo famoso
Que nasceu lá no Oriente
De um tal misterioso
Pavão alado imponente
Que cruza o céu de relance
Dois jovens, e um só romance
Vencendo o Conde inclemente

Todas essas histórias
Renasceram no sertão
Onde vive na memória
O eterno Lampião
E não houve um brasileiro
Que de Antônio Conselheiro
Não tivesse informação

Pra viajar no meu verso
É preciso ter "corage"
Vai que um bicho perverso
Surge que nem "visage"?
Nas matas sertão afora
Lobisomem, caipora
Que medo dessas "image"!!

Pra findar esse rebuliço
Rezar é a solução!
Valei-me meu "padim" Ciço!
Vá de retro, tentação!
Nossa Senhora eu não quero
(Tô sendo muito sincero)
Cair nas garras do cão!

E não é que meu santo é forte?
Cheguei ao céu divinal
É tamanha a minha sorte
A minha vitória afinal
É cantar com alegria
Fazer verso todo dia
Na terra do carnaval

Ao ver chegar a tal hora
Da minha "alegre" partida
Saudade, palavra agora
Tem posição garantida
Mas não se avexe meu irmão
Que hoje a coroação
Acontece é na avenida

Pois eles hão de herdar
Todo esse sertão sonhado
Monarcas que vão reinar
Na corte do Sol dourado
Poetas de tradição
Recebam de coração
Um cordel Branco e Encarnado

E agora eu vou sem medo
Fazer festa "de repente"
Vai nascer um samba-enredo
Pra animar toda a gente
Afinal, não sou melhor
Muito menos sou pior
Só um poeta diferente!

Fonte: Blog Acorda Cordel


Arievaldo Viana

http://queimabucha.com/?idnot=347



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21/07/2011 - 15h03
O escritor e jornalista Mário Gerson, reuniu os novos poetas de Mossoró, e criou o site movimentonovospoetas.blogspot.com

O Movimento Literário Novos Poetas surgiu nas páginas do jornal GAZETA DO OESTE – www.gazetadooeste.com.br – a partir de uma reportagem sobre o Dia Nacional da poesia, publicada em 13 de março de 2011, no caderno Expressão.

Última parte da matéria, o destaque para Novos Poetas ganhou dimensão nos domingos seguintes. “Recebemos muitos poemas na primeira parte da matéria, de tal maneira que resolvemos publicá-los nas edições dominicais, para que não se perdessem”, destaca Mário Gerson, editor do caderno Expressão.O título foi mantido: Novos Poetas.

Atualmente, a página impressa do Movimento recebe poemas de vários novos autores do RN e de outros Estados, que colaboram com a iniciativa e querem divulgar seus trabalhos. Porém, como a página impressa só é publicada uma vez por semana, o Movimento precisava de mais. Foi então que surgiu o movimentonovospoetas.blogspot.com

Atualizado por cada um dos membros fundadores do Movimento: Ellen Dias, Mário Gerson, Samuel Paiva, Davi Magalhães e Camila Paula, o blog está aberto a contribuições de outros jovens autores, que escrevem e querem ver seu trabalho publicado.




http://queimabucha.com/?idnot=346



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14/07/2011 - 20h39
Por Arievaldo Viana - O HUMOR NA CANTORIA – PARTE I


Luiz Antonio foi um dos cantadores mais espirituosos que conheci. Faleceu há pouco tempo. Residia em Mossoró-RN, onde presidiu por algum tempo a Casa do Cantador do Oeste Potiguar. Sempre que eu ia àquela cidade costumava encontrá-lo na recepção da Rádio Rural, aguardando o início do programa do poeta Crispiniano Neto. Já idoso, nunca havia publicado um folheto de cordel. Eu estava reunindo, na época, adaptações em versos para uma antologia composta de contos populares recolhidos pelo eminente folclorista Luís da Câmara Cascudo. Essa tarefa culminou com a publicação da caixa “12 contos de Cascudo em folhetos de cordel”, pela Editora Queima-Bucha, de Gustavo Luz. Coube a Luiz Antonio adaptar o curioso conto “Couro de piolho”, que na sua versão transformou-se em “O rapaz que encheu um saco de mentiras”.  Versejador desembaraçado, fez uma adaptação brilhante do referido conto por mim indicado, terminando por compor um dos melhores folhetos da coleção.

Portador de uma propalada feiúra, mas humorista incorrigível brincava com a própria falta de atributos físicos que lhe negara a natureza. Certa feita viajava de ônibus e uma velhinha começou a rodeá-lo, querendo puxar assunto. Depois de olhar fixamente na sua cara, saiu-se com esta:

- Estou lhe achando parecido com uma pessoa?!...

O poeta respondeu, em cima da bucha:

- Eu sou uma pessoa, dona!

Essa outra quem contou-me foi Crispiniano Neto, ex-Secretário de Cultura do Rio Grande do Norte e inspirado poeta:  Quando o Café Kimimo ainda era do empresário paraibano conhecido como Pitéu, eram comuns os bingos em Mossoró. Quando o governo os proibiu, Pitéu que tinha feito muitos deles, não se deu por vencido. Bolou uma excelente ideia de marketing. Fez um bingo onde ninguém comprava a cartela. Quem chegasse com dez embalagens de Café Kimimo vazias, ganhava a cartela e ia concorrer a inúmeros prêmios. No dia marcado, lá ia o poeta tentar a sorte. Quem sabe, um carrinho para viajar e fazer cantorias. O bingo era de manhã. Terminou e o poeta não chegou nem perto de armar, quanto mais de bater. Voltava a pé, pois os coletivos, diante da imensa demanda de um final de bingo, não tinham uma vaga nem pelo amor de Deus. Já perto de casa, após andar vários quilômetros a pé, suor empapando a camisa, cansado e morto de fome, eis que uma vizinha lhe aborda aos berros:


- "Seu" Luiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiz, foi pro bingo de Pitéééééu????????

- Fui. Respondeu o poeta num fio de voz que denotava o seu imenso cansaço e desgosto.

- E tirou alguma cooooooisa?

- Tirei...

- O quêêêêêêêê, "Seu" Luiz?

- Tirei o dia pra ser besta!

 

* * * 

 

Sempre houve um certo preconceito contra o cantador de viola, sobretudo a partir da década de 1960, quando surgiram os primeiros ecos da jovem guarda e a moçada daqui do Nordeste passou a imitar desbragadamente as modas ditadas pela mídia do Sudeste. Lembro de minhas tias, agarradas com revistas de fotonovelas, suspirando por Wanderley Cardoso, Roberto Carlos e Jerry Adriani e copiando os modelos dos vestidos das atrizes da época. Luiz Gonzaga e cantoria nem pensar! Cordel era coisa de velho, sinônimo de atraso.

Foi nessa época que, em nome da modernidade, resolveram dar um fim na mala de folhetos de cordel de minha avó. Primeiramente a dita maleta foi “desterrada” para a casa velha, espécie de armazém de quinquilharias. Deparei com a mesma totalmente empoeirada, em cima do caixão da farinha e comecei a trazer os folhetos de volta para as gavetas dos móveis da sala de jantar. Nesse leva-e-traz acabaram sumindo de vez, sobretudo quando passei a estudar na cidade.

Geraldo Amâncio contou-me certa vez que quando era um iniciante na arte da cantoria, teve de passar à cavalo por Várzea Alegre ou Icó, juntamente com outro companheiro. Logo na entrada da cidade duas mulheres se acotovelaram numa janela e deram o sinal para as vizinhas:

- Olha, mulher! Lá vem dois cantadores!

Aí o mundo desabou... Dezenas de cabeças surgiram nas janelas e começaram a rir, a fofocar e até mesmo vaiar a desafortunada dupla de poetas. Geraldo disse, que para desconto de pecados, a mula em que andava montado se acuou. Aí foi que a galhofa comeu de esmola.

Cena parecida aconteceu com o grande cantador Antônio Marinho. Ao passar numa calçada, com a viola a tira-colo, duas mulheres o interpelaram e disseram:

- O senhor é cantador?

Ante a resposta afirmativa, o poeta foi se afastando. Porém com os ouvidos atentos, aguardando possíveis comentários. Dito e feito, a mais velha e mais feia das duas foi logo dizendo:

- Porque será que todo cantador é feio?

Antonio Marinho rodou nos calcanhares, dirigiu-se à velhota e, entregando-lhe a viola disparou:

- Pegue a viola, dona, cante!!!

Situação similar aconteceu certa feita com o poeta Luiz Antônio. Ao deixar o modesto bairro em que residia, com viola às costas, meia dúzia de meninos, que brincavam despreocupadamente pela rua, de cipós em punho, começaram a imitar o som da viola em tom de deboche:

- Tum, Tum, Tum, Tum, Tum, Tum, Tum...  Nhém, nhém, nhém, nhém, nhém, nhém, nhém...Luiz Antônio, sem afobar-se, fitou a molecada e disparou:

- Por quê vocês não vão dar os CUS?

Assim, mesmo no plural. Nem precisa dizer que os meninos meteram a viola no saco e pararam imediatamente de importuná-lo.

(In “Mala da cobra – Almanaque Matuto”, livro inédito de Arievaldo Viana)


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02/07/2011 - 08h15
JÁ OUVIRAM FALAR DE UM CRONICA PUBLICADA POR CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE NO JORNAL DO BRASIL, EM 9 DE SETEMBRO DE 1976, ONDE O POETA MINEIRO AFIRMA QUE LEANDRO GOMES DE BARROS É SUPERIOR À OLAVO BILAC?

Carlos Drummond de Andrade, na sua importante crônica intitulada Leandro, o Poeta, publicada no Jornal do Brasil de 9 de Setembro de 1976, faz uma crítica ao título dado à Olavo Bilac de Príncipe dos poetas divulgado pela revista FON FON.
A crítica do poeta é atualíssima e contraria interesses daqueles que a título de bajulação criam tais títulos sem o devido valor.
Assim, levanta quem, de fato, merece os louros pela força da palavra rimada, pela qualidade dos versos, das imagens, da cultura popular retratada com esmero e competência.
(Comentário extraído do blog do poeta Merlânio Maia)

EIS UMA SÍNTESE DA CRÔNICA:


“ Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores, de um total de 173, elegeram por maioria relativa  Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros.  Atribuo o resultado a má informação porque o título, a ser concedido, só podia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista Fon-Fon!, mas, vastamente popular no norte do país, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor do ‘ ouvir estrelas”.
(...) E aqui desfaço a perplexidade que algum leitor não familiarizado com o assunto estará sentindo ao ver  defrontados os nomes de Olavo Bilac e Leandro Gomes de Barros.
      Um é Poeta erudito, produto de cultura urbana e burguesia média;  o outro, planta sertaneja vicejando a margem do cangaço, da seca e da pobreza. Aquele tinha livros admirados nas rodas sociais, e os salões o recebia com flores. Este espalhava seus versos em folhetos de Cordel, de papel ordinário, com xilogravuras toscas, vendidos nas feiras a um público de alpercatas ou de pés no chão...” 
 Ainda completa Drummond com sua afinadíssima verve, comparando os estilos e fechando com a perfeição peculiar:
“ A poesia parnasiana de Bilac, bela e suntuosa, correspondia a uma zona limitada de bem estar social, bebia inspiração européia e, mesmo quando se debruçava sobre temas brasileiros, só era captada pela elite que comandava o sistema de poder político, econômico e mundano. 
A de Leandro, pobre de ritmos, isenta de lavores musicais, sem apoio livresco*, era a que tocava milhares de brasileiros humildes, ainda mais simples que o poeta, e necessitados de ver convertida e sublimada em canto a mesquinharia da vida. (...)” E conclui: “ Não foi  príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão e do Brasil em estado puro”.


Arievaldo Viana

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19/06/2011 - 12h20
Uma novidade na Cidadela para os apreciadores da poesia popular: uma banca de cordel com trabalhos dos principais poetas populares do Nordeste foi montada no espaço - por Ceiça Guilherme

Uma novidade na Cidadela para os apreciadores da poesia popular: uma banca de cordel com trabalhos dos principais poetas populares do Nordeste foi montada no espaço. Organizado pela editora mossoroense Queima-Bucha, o estande montado com a “cara” da cultura nordestina, tem chamado atenção dos admiradores do estilo cordel.

Segundo o responsável pelo espaço e editor da Queima-Bucha, Gustavo Luz, a ideia de alocar a banca na Cidadela foi, principalmente, com objetivo divulgar a Literatura de Cordel. Para Gustavo apresentar esse tipo de literatura num evento como o Cidade Junina é considerado uma grande oportunidade. “Por noite chegamos a vender em média 200 cordéis”, afirmou o editor.  

A procura pelos cordéis é intensa. Os temas expostos têm chamado atenção, também, dos que não tem muito conhecimento com esse estilo de poesia, inclusive as crianças.




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